Estalos na mandíbula são normais ou podem ser sinal de DTM?
- Drª Jordana Senff
- há 6 horas
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Abrir a boca e ouvir um “clique” ou estalo na mandíbula é algo mais comum do que muitas pessoas imaginam.
Alguns pacientes percebem esse som ao mastigar, bocejar ou até ao falar. Muitas vezes não há dor, e por isso o sintoma acaba sendo ignorado por anos.
Mas surge a dúvida: isso é normal ou pode indicar algum problema na articulação da mandíbula?
Em muitos casos, os estalos estão relacionados a alterações na articulação temporomandibular, conhecida como ATM. Quando essa articulação apresenta algum desequilíbrio, pode surgir um conjunto de sintomas chamado Disfunção Temporomandibular (DTM).
O que acontece dentro da articulação quando ocorre o estalo
A mandíbula se conecta ao crânio por uma articulação localizada logo à frente do ouvido. Essa estrutura funciona como uma espécie de “dobradiça” que permite abrir, fechar e movimentar a boca.
Dentro dessa articulação existe um pequeno disco cartilaginoso, responsável por amortecer os movimentos. Quando esse disco se desloca levemente durante a abertura ou fechamento da boca, pode ocorrer o estalo que muitas pessoas percebem.
Em algumas situações, esse deslocamento acontece sem causar dor ou limitação de movimento. Em outras, pode indicar que a articulação está sofrendo algum tipo de sobrecarga.
O que pode causar estalos na mandíbula
Diversos fatores podem contribuir para o surgimento desses ruídos na articulação. Entre os mais comuns estão:
Bruxismo ou apertamento dos dentes
Estresse e tensão muscular
Sobrecarga na articulação ao mastigar
Hábitos como roer unhas ou morder objetos
Doenças sistêmicas
Em alguns casos, os estalos aparecem de forma isolada. Em outros, podem ser o primeiro sinal de um quadro de DTM.
Quando o estalo pode ser um sinal de alerta
Se o estalo aparece sozinho e não causa dor, muitas vezes ele apenas indica uma pequena alteração no funcionamento da articulação. Mas é importante prestar atenção quando surgem outros sintomas associados, como:
Dor na mandíbula ou na face
Dificuldade para abrir a boca
Sensação de travamento da mandíbula
Dores de cabeça frequentes
Dor próxima ao ouvido
Sensação de cansaço ao mastigar
Quando esses sinais aparecem juntos, pode haver um quadro de Disfunção Temporomandibular que merece avaliação profissional.
Ignorar o problema pode agravar os sintomas
Muitas pessoas convivem com estalos por muito tempo sem buscar orientação. Com o passar dos anos, a sobrecarga na articulação pode evoluir e gerar sintomas mais intensos.
Entre as possíveis consequências estão inflamações na articulação, dor muscular na face e limitação de movimento da mandíbula.
Por isso, observar esses sinais e buscar avaliação quando necessário é importante para evitar que o problema evolua.
Como é feita a avaliação da DTM
O diagnóstico geralmente começa com uma avaliação clínica feita pela dentista.
Durante a consulta, a profissional analisa os dados de saúde do paciente, funcionamento da mandíbula e possíveis sinais de tensão muscular. Em alguns casos, exames de imagem podem ser solicitados para avaliar a articulação com mais detalhes.
Cada paciente apresenta causas diferentes para a DTM, por isso o tratamento sempre precisa ser individualizado.
Tratamento para estalos na mandíbula
Na maioria dos casos, o tratamento da DTM é conservador e busca reduzir a sobrecarga na articulação.
Entre as abordagens mais utilizadas estão:
Placas de mordida para controle do bruxismo
Fisioterapia para musculatura da face
Orientações sobre hábitos que sobrecarregam a mandíbula
Controle do estresse e da tensão muscular
Medicações
Infiltrações com ácido hialurônico
Estalos na mandíbula podem parecer algo simples, mas merecem atenção. Mesmo quando não há dor, esse ruído pode indicar que a articulação está sofrendo alguma alteração no funcionamento e a tendência é de piora ao longo do tempo.
Se o estalo aparece com frequência ou vem acompanhado de dor, travamentos ou dores de cabeça, o ideal é buscar avaliação profissional.
Um diagnóstico precoce ajuda a entender a causa do problema e a preservar o equilíbrio da articulação temporomandibular.
